quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os pais não estão nem ai...

Minha vida social sempre foi um tanto cansativa para mim, no início da minha vida eu era cheia de amigos... na infância, sabe... eu era normalmente o centro das atenções, não sei o porquê que era assim na época, mas isso são histórias que minha mãe conta, pessoas mais velhas contam e pessoas que conviveram comigo na minha infância (e que não sei como ainda lembram de mim... uma vez uma menina veio me falar que eu e ela éramos melhores amigas... E eu tipo: “duuur? Quem é você!??”), daí para a então adolescência vocês já conhecem a história, veio o bullying (link)... Na época eu fiquei bem confusa, veio uma chuva de emoções na minha cabeça, era muita gente arrobando a porta da minha vida e trazendo coisas negativas para dentro de mim, enquanto eu assistia as coisas boas me deixando... 


* Essa historia é antiga, aconteceu a anos atrás 

Muita gente falsa, muita gente aproveitadora, muita gente apenas 
querendo rir um pouco da minha cara... Meu namoro foi por água baixo nesse meio todo, muita coisa se foi, até meu desejo para socializar nesse mundo pequeno... Então eu simplesmente chutei o balde, disse para mim mesmo que agora dane-se o que as pessoas pensam ou sente por mim... É um direito delas sentir, se querem me amar, me odiar, me enojar... Vai lá, mas faça isso para lá, longe, porque eu não sou obrigada a aturar sua merda... Quando eu chutei o balde então, ao invés de procurar novas amizades, as pessoas que me procuravam... Gente boa? Não... Gente pior que eu... foi quando comecei a fazer amizades com pessoas problemáticas e aprender com elas a como não ser (nunca deixei a merda dos outros a me influenciar a nada... talvez algumas vezes, mas eu solbe me manter), eu numa época virei a ouvidora dos problemas alheiros e criei gosto por isso, e comecei a gostar delas de uma maneira diferente... eram pessoas fracas agonizando no meu ouvido...
Mas nisso apareceu muita gente boa também, que estavam em momentos ruins e que precisam de alguém que as não julgassem, que precisassem de só um ombro... Ok... lá vou eu... nunca tive alguém disposta a isso por mim, mas... eu estou aqui...
Nisso me lembro de uma menina que também apareceu do nada na minha vida... La estava eu jogada em algum canto da escola sozinha, daí a menina apareceu do nada e me disse “oi” e a partir daí viramos amigas... Não havia mais ninguém do lado dela... Pelo que eu entendi, algumas garotas pegaram raiva dela por algum motivo fútil, e então começaram a difama-la, e sua vida na escola virou um inferno... Eram desde apelidos chatos a puxões de cabelo... Ela disse "oi", e eu apenas respondi "oi", sem falar nenhum apelido ruim, apenas tratando ela como um humano deve ser tratado... E para alguém na situação dela... isso era valioso...
Eu fui conhecendo ela aos poucos e vendo como as pessoas eram injustas com ela, ela era uma adolescente normal, mas normal mesmo, não havia nada de errado com ela (socialmente falando), ela tinha aquele jeito manhoso que a maior parte das meninas da idade dela tinha, ela tinha cadernos com flores como a maior parte das meninas da idade dela tinha, ela usava aqueles tênis desconfortáveis... Alstar? Como a maior parte das meninas nessa idade (esse sapato nunca se deu bem no meu pé)... Algumas espinhas, um corpo magro, cabelo detonado por causa das experiências com a tinta (pra que fazer isso?), como a maior parte das meninas da idade dela... A personalidade dela também era comum, ela se magoava, se alegrava e se irritava por causa daqueles motivos comum, ela gostava das bandas da moda, e tinham sonhos tão chatos, mas eu me esforçava para sorrir enquanto ela os descrevia... Eu não entendi o motivo, o gatilho, o inicio daquilo tudo... Era aleatório as vítimas? Eu até enxergava algum “porque” fútil da pessoa implicarem comigo, eu era estranha mesmo, você olhava para mim e isso provavelmente te causaria ou algum desgosto ou curiosidade... Mas ela não, se ela se afastasse de mim em alguns passos, ela sumiria no meio das outras meninas... Ela não se destacava, mas também não era invisível...
Eu cheguei a perguntar para ela o “porque” inocentemente... Ela nunca soube responder... Começavam a vir historias aleatórias de intrigas pequenas com outras meninas... Coisa que todo mundo tem... ... Coisa que não era bem um motivo de começaram a persegui-la... Eu parei de fazer isso, porque seus olhos as vezes viravam para o lado e enchiam de lagrima... Aquilo era claramente um sentimento de injustiça... Perguntar fazia ela se questionar do “porque eu? ”... Isso machuca qualquer um... mesmo que tenha algum motivo...


Até que um dia eu fui até a casa dela...
Não sei porque ela me convidou, eu sempre deixei claro que gosto de mofar em casa... Mas ok, eu vou... Eu imaginava o mesmo ambiente chato de casa de famílias comuns... qualquer coisa que seja mais organizada do que meu ambiente familiar... Mas não foi isso que eu encontrei...
Quando eu entrei na casa dela a mãe dela lhe deu um comprimento nervoso, e depois começou a me analisar... Ela já havia falado de mim... E bem (que milagre)... Ela contou a a versãoque fala sobre uma garota nerd, uma outra imagem que eu passava, a menina que estudava e se dedicava... Eu realmente nunca estudei de verdade... Eu não abria os livros em casa, eu parei de ter interesse por isso a tempos... Eu só era um tanto mais inteligente (se eu posso dizer isso), eu aprendia as coisas rápido, eu só precisava ver uma vez e já ficava na minha mente, nas provas ou era uma mistura da minha memória ou de pura dedução... E eu me dava bem, a única coisa que eu falhava era em faltas... Eu sempre estourava, quebrava recordes... A mãe dela então começou a me comparar com ela, começou a dizer que eu era melhor que ela, que ela deveria ser como eu... No começo eu achava engraçado, talvez até serviria como um estímulo (ela não sabia que eu era mais estranha ao ponto de não precisar me matar de estudar para pegar as coisas)... Mas depois começou a ficar chato, toda vez que ela me via começava as comparações... Muitas delas eram sobre deduções pessoais dela, como ela nunca tinha me visto em meu ambiente familiar para dizer que eu era uma melhor filha... Mas ela falava, falava como se tivesse certeza, que eu nunca deixaria minha mãe preocupada, que eu a obedeço... Isso... Isso não pode ser verdade, ela nunca me viu em ação no meu ambiente familiar... Ela não pode afirmar isso... Ela não deveria... Eu ficava sem graça, sorria e tentava mostrar algum respeito (já que eu não estava em minha casa)... Eu não sabia o que responder, o que rebater, então eu abaixava a cabeça e ficava quieta... Mas quem não ficava feliz era a minha amiga... A minha amiga ficava muito incomodada, ela ficava claramente desconfortável ou então ficava chateada... Não era a questão de alguém te dizer que alguém supostamente alguém era melhor que você, era o fato que sua própria mãe ficava dizendo que você não era boa o suficiente, não melhor que um estranho... Depois quando estávamos só, eu tentava desmentir, dizendo que não, obviamente não, eu não era aquilo... Mas não adiantava, o estrago já estava feito...
A casa era bem simples, e isso não era o problema, o problema é que ela não tinha o próprio espaço naquele lugar, tudo era dividido, todos os momentos, ela não ficava sozinha... Ok, dividir é um bom exercício, mas todo mundo precisa de um momento só seu.... Imagina só, na escola o tempo todo com todo mundo falando merda na sua cabeça, e em casa você não tem seu momento de paz... É complicado... É estressante... Pelo menos eu tinha aquele momento...
A mãe dela não apoiava ela, sempre que tinha um problema a mãe dela se voltava contra ela, ela era a culpada, não importa o que tinha acontecido... A reputação dela com a mãe era estranha, a mãe dela se baseava em coisas pequenas para olhar torto para a própria filha... isso porque ela mudou o visual escondido (que menina não faz isso? Pintar o cabelo... Bah...), ou foi atrás de um garoto (se apaixonar? A besteira universal que todas adolescentes fazem, eu fiz isso... não há problema nisso... Se ela estivesse atrás de milhares de caras e isso a impedisse ela de viver, ai então isso seria um problema, mas era apenas um cara feio...) Brigar na escola? (Ela nem fazia questão de ouvir a versão da filha)... Era só isso...
E por meses ficou nessa... E o lado lindo da história é que ela conseguia sorrir, rir das besteiras que eu falava (eu sempre fui de falar besteiras, minha especialidade), e tentar ficar bem depois de chorar...

Claros pais...

Nisso eu aprendi que muitos jovens têm problemas na escola ou na vida em geral por falta de apoio dos pais, não estou dizendo em dar tudo para os filhos, mas sim em deixar que eles saibam que tem um leal amigo por perto... Acontece que muitos pais abrem a mão de o que é realmente ser pais, eles apenas fazem aquelas partes que acreditam que a sociedade obriga, como dar comida, não deixar sair pelado na rua, não deixar que ninguém saiba que a casa está desmoronando... A arte de apoiar emocionalmente o filho, perguntar se a criança está bem (mesmo o dia não ter sido difícil), reparar em mudanças pequenas, procurar por arranhões no físico e no emocional... não focar no querer e sim no que precisa... Mas lá vai, jogue o jegue na escola apenas para ficar sozinho em casa, a criança/adolescente é como um grande folha em branco prestes a ser moldada, mas os pais não se envolvem, esperam que os professores façam o “trabalho sujo” de por cores na folha em branco... O professor é só um profissional da educação (no sentido de passar informações), o principal sempre vai estar em casa... A vida na escola anda cada vez mais difícil, um monte de jegues perdidos sem instrução, professores estressados porque agora tem que ser babas, crianças tendo que lidar com outras criança...
Ok, ok... É complicado hoje em dia, você tem que trabalhar demais, no Brasil é bem difícil ser trabalhador e com filhos em desenvolvimento, você tem que se dedicar a todo momento, ainda mais quando se tem mais de um filho... Então, você não deveria ter tido filhos, se você não pode criar e cuidar... Porque teve? E mais um... E mais outro? E ainda ao invés de gastar dinheiro com educação... Gasta com cerveja?
As pessoas estão pouco de fudendo para os outros, e essa regra vale em casa também... Ou fazem apena só básico, no automático... Apenas dançando como acham que se dança essa musica
O básico nem é apenas roupa, comida e alguém para te dizer o que fazer
E sim apoio emocional e alguém para te guiar quando fazer
Você já ouviu aquela história de crianças que foram criadas em ambientes tão simples, mas que se tornaram adultos incríveis? Adivinha, por traz tinha uma mãe ou pai com um chinelo em uma mão, a outra mão pronta para fazer carinho, ouvidos prontos para serem usados, uma boca para dizer o que se deve dizer e um coração enorme no peito
Eu sei que muitas crianças mesmo com bons pais se tornam maus... isso porque a culpa não é só dos pais, a escola é horrível, muitas influencias ruins, mas se você fizer sua parte de apoia-lo em sua chegada, vai ficar bem, se não der certo, você fez sua parte
Eu insisto com isso porque eu vejo só isso: Culpa a internet pelos maus comportamentos, mas não faz nada para tirar ele desse mundo, reclama por não conseguir conversar com seu filho, mas qual foi a última vez que se fez a pergunta “você está bem” dentro de casa?
Não é dar, é saber proporcionar!


Mas essa história, dessa minha amiga até que teve um final feliz...
Depois de tanta insistência da parte dela a mãe dela a mudou de escola, depois de eu e ela conversamos muito, ela se preparou para o grande momento, ela recomeçou do zero por lá, uma nova reputação, uma pessoa mais forte, e pelo que ela me disse, tudo ficou bem mais leve
Depois de um tempo ela fez novas amizades e eu fiquei para traz (isso me aconteceu várias vezes... Meus ouvidos são quase prostitutas...), mas eu fico feliz quando vejo ela andando por ai com um sorriso mais sincero no rosto e uma aparência mais saudável, ela sempre me cumprimenta, dessa vez com um “oi” só que sem medo...

O lado triste é que muitas adolescentes/crianças como ela não tiverem a mesma oportunidade de driblar as dificuldades, ficaram jogadas no mesmo canto até quebraram por dentro e terem algum colapso emocional, é triste, porque cada dia está assim... cada vez mais sem apoio em casa, muita pressão na escola e um círculo de amizade toxico
Se você estiver nessa situação, eu lamento muito...

Eu sei que isso não serve como consolo... Mas eu entendo o que você está passando... Seja forte, uma hora isso passa... Vai demora? Sim, mas uma hora tem que passar...


(isso, como na maioria dos meus posts é apenas um exemplo de casos isolados, não dá para encaixar tudo aqui)


2 comentários:

  1. Se teve final feliz, que tenha um recomeço melhor... :)

    Infelizmente os pais de hoje abandonam muito os filhos, sei disso, porque me abandonaram literalmente dos quatro aos sete anos, casas de estranhos e por um curto tempo na minha avó onde aconteceram coisas que me deixaram desse jeito que sou, coisa que não desejo a ninguém...

    Depois foi só aquele famoso abandono familiar, nem faziam meu almoço, café nada, não me levavam para escola, sem bom dia ou qualquer coisa, eu não consigo lidar com seres humanos até hoje, tive mutismo seletivo, ainda tá meio agarrado em mim.

    Além de ter crises de choro, pior senti que vai acontece e não tem para onde correr, mesmo eu tentando me esconder, eu acho que qualquer dia vou ser só mais um numero nas estatísticas.

    Minha vida é depressão.
    THE END.

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  2. Odeio comparações. ODEIO.
    Cara, ninguém é igual a ninguém. Sempre que alguém vem com o papo de " você parece alguém..." " nossa você é igual a não sei quem ". Me ferve os nervos. Porra, ninguém é igual a ninguém. Claro que tem algumas semelhanças, mas ser comparado á alguém estranho é irritante.
    Alguns pais, realmente não nasceram para ser pais. Eu digo, porque meus próprios pais, e algumas tias também, não nasceram para isso. Muitos não enxergam o trauma, o buraco que fizeram no filho. Em parte, as vezes é culpa de ambas as partes. Mas sua maoria é os pais...
    Educar é diferente de agredir. Ser liberal, e não impor um certo limite, é diferente de uma mãe/pai amigo. Na minha humilde opinião ( mesmo sem filhos ) acho que deve ter um bom equílibrio. Nem muito, nem pouco... Mas sempre observando os filhos com cuidados. É importante que pai/mãe crie um laço firme com os filhos, porque no menor dos problemas, com toda a certeza o filho/a correrá direto para aquele laço.

    -.-

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